AFORISMO III

“Pensar é criar. Sentir é impulsionar. Agir é realizar.”

Muitas pessoas falam sobre a importância do pensamento. Sem dúvidas, pensar é essencial para que as coisas possam acontecer. Na verdade, sem pensar nada pode ser construído. Podemos até fazer coisas sem pensar. Mas somente por meio do pensamento é que as coisas podem acontecer no mundo material. Não há prédio sem planta. O prédio é o aspecto material e a planta é o aspecto pensamento. Um prédio precisou ser pensado primeiro, antes de ser construído e materializado. Então é verdade que o pensamento cria. Ele é a semente, por assim dizer. Mas isso não quer dizer que o pensamento seja o mais importante. Existem outros passos.

O sentimento é necessário para impulsionar o que foi pensado. Se alguém ficar parado pensando, sem sentir nada, como ele irá agir? E sem ação, o prédio ficaria somente na planta. O sentimento tem a energia para impulsionar para a ação. Não estou tratando de desejo, e sim de vontade. O desejo, muitas vezes, é passageiro. Estou me referindo ao sentimento forte que impulsiona a pessoa a entrar em ação para concretizar o que foi pensado. Dessa forma, o sentir é essencial para que os sonhos se realizem. Mas existe ainda mais um passo.

A ação é totalmente vital! Sem ela, nada pode ser realizado. Como realizar alguma tarefa ou algum sonho sem ação? Seria possível realizar nossos sonhos sem agir? Sem entrar em ação? Sem ter atitude? Até o momento, as pessoas realizadas foram aquelas que entraram em ação e não permaneceram apenas no pensamento. Claro que pensar é essencial e é a primeira coisa. Afinal, é a planta do que se quer realizar. Sem uma planta, o que se irá construir? Sem um mapa, para onde ir? O ato de pensar, pois, é essencial. Mas é preciso estar atento aqui. São três passos e não apenas um ou apenas dois. São três. Ou são três passos ou não adiantará nada. A tentação para ficar só pensando é grande.

Podemos compreender que um tripé só fica de pé porque se sustenta em três pernas e não apenas em uma ou duas. Uma perna não é suficiente. Nem duas pernas são suficientes para manter um tripé em funcionamento. Um tripé que não tem três pernas é totalmente inútil. Pode servir para alguma outra coisa mas como tripé será inútil. Não existe tripé bípede, nem tripé “Saci Pererê”. Da mesma forma, há um tripé no Aforismo III: pensamento, sentimento e ação. Aforismo III é três de tripé. A função de um tripé é ficar em pé para sustentar algo. Mas é preciso que todas as três pernas sejam igualmente fortes. Não há nenhuma perna mais importante que a outra.

Ninguém pergunta para uma árvore qual de suas raízes é a mais importante. Nem se pergunta para uma flor qual de suas pétalas é a mais bonita. Uma árvore, uma planta e toda a existência é importante. Não há uma parte mais importante que a outra. O seu braço não é mais importante que sua perna. Essa comparação é totalmente sem sentido. Então, se o pensar não é mais importante que o sentir nem mais importante que o agir, por que usar apenas uma ou apenas duas dessas pernas? Aquilo que não se usa acaba atrofiando. Se você usar apenas a perna do pensamento, como ficará a perna do sentimento?

Você ficará com o sentimento atrofiado, se não utilizá-lo com frequência. Ficará muito intelectualizado, parecido com um robô. Você não é um computador. Você é um mestre em processo de despertar. Não se esqueça disso. Mas muitas pessoas acham que pensar é o mais importante. Por isso existem tantas pessoas que apenas pensam. Passam uma vida pensando e pensando. Quase não sentem nada e agem muito pouco. Vivem no mundo da imaginação, do pensamento. Mas a existência não faz comparações para descobrir o que é mais importante. Nela tudo é importante. Não existe nada atrofiado na natureza. Quando vivemos em nossa natureza, nunca atrofiamos.

Ocorre que há muita artificialidade na sociedade e isso afasta as pessoas de sua própria natureza. Quando se vive na artificialidade, a ilusão parece ser importante. Centenas de opções surgem na mente. Parece um oceano infinito de coisas importantes. Por isso muitos dizem “eu tenho que saber o que é importante e o que não é para focar no que importa. Não posso perder tempo com o que não é importante.” Mas na artificialidade tem muita coisa desimportante, tem muita confusão. E na existência tudo é importante.

Como você irá selecionar o que importa, se as opções que te deram são, em essência, todas desimportantes? É como pedir para uma criança escolher quem é o mais importante: ‘papai Noel’ ou o ‘coelhinho da páscoa’; esse sorvete ou aquele sorvete; essa escola ou aquela escola. A criança recebe muitas opções artificiais e, no sentido existencial, sem importância. Esse excesso de opções explica por que elas estão cada vez mais ansiosas. Os adultos colocam as crianças em fábricas de chocolate.

O mundo no qual a criança vive é um mundo artificial repleto de opções que, no fundo, não as ajuda a amadurecer. Claro que elas vão ficar perdidas e ansiosas. Quando elas vão em uma sorveteria, elas têm dezenas ou centenas de sabores para escolher; quando vão assistir TV ou acessar a internet, elas têm milhares ou milhões de opções; quando os adolescentes vão namorar, eles têm milhões ou bilhões de opções. Só nas redes sociais as pessoas têm milhares de ‘amigos’. Bem, cabe perguntar se você irá ler milhares de mensagens por dia; se você irá em milhares de aniversários; se você irá namorar milhares de pessoas. Claro que a confusão irá surgir. Existem infinitas opções. Como saber o que é mais importante? Vamos analisar todas as milhões de opções? Temos milhões de horas disponíveis para analisar milhões de opções?

Porém, muitas dessas opções não geram amadurecimento. Geralmente, são opções ruins. Podemos perguntar a uma criança que tem dezenas de brinquedos, celulares, jogos de video game: “De todas as opções que te deram, o que você acha mais importante?” Para ela todos os seus brinquedos são importantes e ela quer brincar com todos eles. Ela fica na angústia da escolha. Têm muitos adultos assim também: qual é mais importante: “esse carro” ou “aquela viagem”? Não quero dizer que ‘viajar’ ou ter um ‘carro’ seja ruim. Não é isso. Pelo contrário, isso pode ser muito bom.

Estou dizendo que nossa sociedade é muito artificial e repleta de opções e ofertas que, em essência, são ruins, sem valor existencial. Podemos comprar um celular e personalizá-lo de diversas formas: cores, capas, aplicativos. Qual o valor existencial que existe na dúvida que se tem sobre qual marca de celular comprar? Quando crianças, choramos por bobagens como a cor de um brinquedo não ser como desejávamos. “Estou triste porque ganhei um carrinho de brinquedo com uma cor diferente da que eu queria. Eu queria da cor de meu time de futebol e vocês me deram da cor do time rival”. Isso é algo infantil. E existem muitos adultos que continuam na infância, chorando porque seus novos brinquedos (carros de verdade e outras coisas) não são como queriam que fossem.

Se as cartas que te deram são todas ruins, como escolher a que é melhor? Nesse caso, você irá escolher qual é a pior e não a melhor opção. Você só pode escolher o que é melhor, se as suas opções são todas boas. Não existe o “menos pior”. Com efeito, se você focar na artificialidade, haverá muitas opções ruins e muitas dúvidas. Por outro lado, se você focar na existência, saberá que a sua vida é toda importante, não havendo uma parte mais importante que a outra. O que é mais importante: sua infância ou sua adolescência? suas noites ou os seus dias? seu estômago ou o seu fígado? Isso não faz sentido algum. Essa visão é artificial. Por isso que muitos velhos estão no asilo.

Talvez a sociedade ache que os idosos são sejam mais importantes. Talvez eles mesmos achem que não sejam mais importantes. Afinal, não são mais “produtivos”, não têm emprego, não agregam valor à sociedade. Será? Os idosos, no geral, têm sabedoria e poderiam auxiliar muitos jovens e adultos. Contudo, é assim que a sociedade artificial funciona. Existem muitas opções: muitos asilos, muitas creches, muitos chocolates, muita pornografia, muitos carros, muitos celulares, muitas teses, muitas opiniões, muitas universidades, muitas profissões. Como não ficar confuso nesse labirinto? Como encontrar a porta para sair desse labirinto?

Ainda que alguém ache a porta do labirinto, ela terá dúvidas para escolher qual chave usar. Até por que dentro desse labirinto existem várias empresas que produzem chaves, de diversas cores, formas e marcas. Ainda que você ache a porta, poderá ter dúvidas para escolher qual chave usar. Talvez você esteja tão acostumado com a artificialidade que irá gastar um tempo para escolher qual marca de chave usar para sair do labirinto. Em nossa sociedade artificial, as opções são infinitas. Esse labirinto não tem saída. Mas, felizmente, a vida não é um labirinto artificial. O ser humano não é artificial. Estando focado na existência e consciente, você terá clareza sobre como viver a sua vida, de forma natural e bela.

O que é mais importante para se realizar os sonhos? Primeiramente, vamos mudar a pergunta: o que é importante para se realizar os sonhos? Não “o que é mais importante”, e sim “o que é importante.” Não há que se comparar o que é mais importante. As três pernas são importantes e nenhuma é mais importante que a outra. Você pensa, você sente, você age. Quer realizar seus sonhos? Quer navegar rumo aos seus objetivos? Talvez um bom início seja compreender que um triângulo existe, se e somente se, se tiver três lados; que um quadrado existe, se e somente se, se tiver quatro lados; que um tripé existe, se e somente se, se tiver três pernas; Assim, um sonho pode ser realizado, se e somente se, se tiver pensamento, sentimento e ação.

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